O 'TRABALHO COM MÁSCARA'...


Desde a penúltima semana de Janeiro que vínhamos a negociar o aumento da tabela salarial para 2020 no Grupo EDP, até que 3 meses/10 reuniões depois (a 25 de Março) a EDP suspende o processo unilateralmente. No dia seguinte, na REN, acontece uma “coisa parecida” embora ali estávamos a conversar há 15 dias…

Enquanto na REN o início do processo negocial foi atingido por este “tsunami viral” e se compreenda o desfecho, na EDP desde o início se percebeu que o objectivo da Comissão Negociadora da Empresa não era negociar coisa alguma – o arrastamento aparentemente propositado das reuniões por matérias que nada tinham a ver com a tabela salarial, promovendo dissertações sobre esses temas levados à mesa negocial por alguns sindicatos e pela própria EDP ocupando “90%” do tempo consumido, sem controlo e permitindo desfoque completo do objectivo marcado, acaba por ser o reflexo de como a EDP vive genericamente, de muitas aparências para disfarçar objectivos menos claros da sua estratégia. Por isso, afirmamos que a Empresa deixou cair a máscara porque fez deste processo uma farsa depois de 3 meses de conversa e de 2 simulacros de acordo!

Não está em causa o actual momento e se havia ou não condições (a 25 de Março) para fechar com sucesso este processo negocial. A questão principal foi a falta de transparência de processos para atingir este fim. À EDP não basta aparecer com boa imagem nos índices bolsistas e de sustentabilidade quando, no dia-a-dia, trata muito mal os seus trabalhadores – o seu principal capital.

Infelizmente para todos nós não é só na EDP que vivemos de aparências… e não nos devemos enganar muito ao afirmarmos que as máscaras vão continuar a cair (e não nos estamos a referir aos profissionais de saúde e não só, que nos tem valido em tempo de pandemia, onde se incluem muitos trabalhadores da energia – continente e ilhas)!

Com a classe política (salvo raríssimas excepções) a repetir diariamente discursos vazios e de circunstância que iludem “toda a gente” com números, que vários sectores credenciados percebem não corresponder à realidade, numa descoordenação gritante entre as diferentes autoridades, procurando leituras favoráveis na curva errática da epidemia que intriga os especialistas e os vários operacionais que clamam por apoios/material que demoram uma eternidade (30 ou 60 dias nesta situação é uma eternidade!) enquanto a economia capitula perante medidas a conta-gotas e manifestamente insuficientes (basta comparar com outros países da UE) sobretudo para as micro e PME, que leva o desemprego a disparar de forma assustadora com consequências sociais alargadas… e a “máscara vai cair” mais cedo ou mais tarde! Mas o problema não é (nem pode ser) só nacional. Ainda não vimos uma Europa verdadeiramente solidária, apesar do recente acordo para o pacote financeiro… vai voltar a falhar? A economia, assim, não vai aguentar e os trabalhadores precisam de protecção!